Porque relacionamento e testemunho são
mais importantes (e eficazes) do que proselitismo.
O verdadeiro evangelista não é o que tem
ardor pela evangelização, mas o que tem amor pelo evangelizado.
Há um aspecto peculiar na “Grande
Comissão” relatada no evangelho de João que nem sempre é lembrado quando
estamos tratando do envio de discípulos. Enquanto, nos outros textos sagrados,
o destaque da comissão eram aspectos mais práticos (como curar os enfermos,
operar sinais e fazer discípulos), no texto de João o destaque está no perdão
de pecados (Jo 20.23). O conteúdo do evangelismo, seja por meio de novos ou
velhos métodos, continua sendo arrependimento e perdão.
Além dessa ênfase, na comissão joanina,
também fica claro que o propósito de Jesus, ao enviar seus discípulos, não era
apenas o de proclamar o que ele podia fazer em favor do perdido, mas o que
podia fazer por intermédio da vida de seus discípulos. “Àqueles
a quem perdoardes os pecados lhes serão perdoados”: o foco não está apenas na mensagem,
mas na autoridade e na vida dos mensageiros. Particularmente, não acredito que
existam formas “ultrapassadas” de evangelismo. Para mim, Deus pode usar
qualquer forma de levar o evangelho, seja nova, seja velha. O que me preocupa
são as motivações dos crentes na hora de usar dessas fórmulas. Aquilo que,
muitas vezes, a igreja está oferecendo para aumentar o número de seus membros
não corresponde à verdade do evangelho e tem gerado expectativas que,
certamente, serão frustradas.
Em Mateus 23.15, existe uma advertência
forte de Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!
Porque percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o
terdes feito, vós o tornais duas vezes mais filho do inferno do que vós”.
Esse é um alerta que sempre deve ser lembrado em relação à evangelização: o
risco do proselitismo e do esforço em mudar a pessoa apenas exteriormente, sem
transformar seu entendimento. Enquanto nos virem fazendo a coisa certa pelo
interesse errado, o coração das pessoas será contagiado apenas pela cobiça, mas
não transformado pelo amor.
Nada é mais evangelizador do que a forma
como nos relacionamos uns com os outros em amor. Nossas relações
evangelizam mais do que muitas das nossas ações. O cristão é aquele que, como
Cristo, vive em favor do próximo. E é na forma como ele sacrifica seus
interesses pessoais em favor do próximo que encontra sua melhor oportunidade de
comunicar o que crê. Ou seja, quanto mais relacional for a estratégia
evangelística, tanto mais relevante será.
Nunca a revelação de Deus vem sem
relacionamento. O evangelho chega a nós por meio de pessoas. E o próprio Jesus
prometeu que estaria presente na comunhão de dois ou três reunidos em seu nome.
Não podemos perder de vista o quão importante isso é. A evangelização não
serve, por exemplo, apenas para alcançar o evangelizado; também alcança o
evangelista. Quando ele leva a mensagem a alguém, é gerado nele um profundo
senso de responsabilidade pelo próximo, de tal modo que evangelista não é o que
tem ardor pela evangelização, mas o que tem amor pelo evangelizado.
Por isso, eu creio que fé não seja
apenas a certeza inabalável da salvação que já recebemos, mas também a
disposição e o amor incansável de trabalhar para que outros também a recebam.
Texto da Revista Impacto - editorial 78.
Escrito por Paulo Junior
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