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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Diário da Vida Real


Nas nossas visitas de domingo ao hospital público temos aprendido grandes lições de vida as quais não poderíamos enumerar. As experiências às vezes nos assustam, nos surpreendem, nos emocionam, nos chocam. Ao encontrarmos as pessoas lá hospitalizadas podemos ver de perto as suas dificuldades e uma pequena parcela dos seus problemas. Podemos ouvir suas carências, conversar, confortar e dar um pouco do apoio espiritual que elas precisam. E apesar de todos os seus problemas, muitas delas têm aceitado o evangelho pregado lá. E isto para nossa surpresa.

No último domingo o que mais nos chocou foi o fato de que em todos os quartos havia pessoas com problemas graves. No primeiro quarto estava um senhor que não tinha as pernas, não podia andar e nem falar; para as coisas mais simples do nosso cotidiano ele precisava de ajuda. No quarto seguinte estava um deficiente mental com problemas respiratórios graves. No outro, uma mãe prestes a dar à luz a um bebê de oito meses, que ainda não estava pronto. Ela sentia muitas dores. Havia também um morador de rua, provavelmente doente por causa do álcool, sem família e sem ninguém para olhar por ele. No último quarto estava uma senhora de aproximadamente 85 anos com problemas graves de visão e que há trinta anos não pode enxergar. Por causa da falta de visão e ausência de movimentos ela desenvolveu uma atrofia nos membros inferiores. Ela já não fala com clareza e não ouve bem.
O que fazer diante desta tão difícil realidade? O que dizer para aquelas pessoas? Dizer que a vida é assim mesmo? Seria muito cruel! E se disséssemos que Deus poderia curá-las se elas tivessem fé, estaríamos lhes atribuindo uma responsabilidade que elas não poderiam suportar. O que dizer então? Sinceramente eu não sabia o que dizer, assim como não sei agora.
Mas, creio que movidos pelo Espírito Santo falamos do Amor infinito de Deus por cada uma daquelas pessoas.
Falamos que ele sabe o que é sofrer, assim como elas sabem.
Falamos que ele deu o seu único Filho Jesus Cristo, para pagar pelo pecado de todas as pessoas, porque ele as ama com um amor eterno.
Falamos que um dia todo esse sofrimento terá fim e que todo aquele que crê nestas palavras: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu único Filho para que todo aquele que nele crê não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16), terá a vida verdadeira.
E... por mais incrível que possa parecer, não houve rejeição por parte deles. Eles aceitaram e confirmaram sua fé em Jesus imediatamente. De onde menos esperávamos veio a certeza da esperança e uma confiança ardente nas palavras de Jesus.

Michele
Espigão do Oeste – RO
18/09/2012

Graça em Ação: Além da Justiça


Graça significa que nada do que fazemos na vida nos exclui do amor de Deus. Significa que ninguém está excluído da redenção, nenhuma mancha humana está excluída da purificação. Vivemos num mundo que julga as pessoas pelo comportamento e exige que criminosos, devedores e os que são moralmente fracassados arquem com as conseqüências de seus atos. Até a própria igreja acha difícil perdoar quem falha.
A graça é irracional, incorreta, injusta e só faz sentido se eu acreditar num outro mundo governado por um Deus misericordioso que sempre concede uma nova oportunidade. Maravilhosa Graça, um hino extraordinário que, há pouco tempo, ocupou os primeiros lugares nas paradas da música popular exibe a promessa de que Deus julga as pessoas não por aquilo que elas foram, mas pelo que elas poderiam ser, não pelo passado delas, mas pelo seu futuro. John Newton, um rude e grosseiro traficante de escravos, “um miserável como eu”, escreveu aquele hino depois de ser transformado pelo poder da maravilhosa graça.
Ao ver a graça em ação, o mundo faz silêncio. Nelson Mandela ensinou-nos uma lição sobre a graça quando, após deixar a prisão onde passou 27 anos para ser eleito presidente da África do Sul, pediu a seu carcereiro que se juntasse a ele no palanque da cerimônia de posse. Em seguida, nomeou o bispo Desmond Tutu para chefiar um conselho oficial do governo com o nome assustador de Comissão da Verdade e Reconciliação. Mandela procurou dissipar o padrão natural de vingança que vira em tantos países, onde uma raça ou tribo oprimida tomara de outra o controle político.
Durante os dois anos e meio seguintes, a África do Sul ouviu relatos de atrocidades que saíram das audiências CVR. As regras eram simples: se um policial ou um oficial militar branco enfrentasse voluntariamente seus acusadores, confessasse seu crime e reconhecesse completamente sua culpa, ele não poderia ser julgado e punido por aquele crime. Defensores da linha dura criticaram a óbvia injustiça de deixar criminosos em liberdade, mas Mandela insistiu que o país precisava de cura, mais até do que de justiça.
Numa das audiências da CVR, um policial chamado Van de Brock relatou um incidente em que ele e outros oficiais mataram a tiros um rapaz de dezoito anos e queimaram seu corpo. Oito anos depois, Van de Brock voltou à mesma casa e pegou o pai do rapaz. A mulher foi forçada a olhar enquanto os policiais amarraram seu marido sobre um monte de lenha, derramaram gasolina sobre o corpo dele e atearam-lhe fogo.
O tribunal ficou em silêncio quando a mulher idosa que havia perdido primeiro o filho e depois o marido teve a oportunidade de responder. “O que a senhora deseja do sr. Van de Brock?” perguntou o juiz. Ela disse que queria que Van de Brock fosse ao local onde haviam queimado o corpo de seu marido e recolhesse as cinzas, para que ela pudesse dar a ele um sepultamento decente. Cabisbaixo, o policial acenou concordando.
Depois ela acrescentou outro pedido: “O sr. Van de Brock tirou-me toda a família, e eu ainda tenho muito amor para dar. Duas vezes por mês, eu gostaria que ele viesse até o gueto e passasse o dia comigo, de modo que eu possa ser uma mãe para ele. E gostaria que o sr. Van de Brock soubesse que ele foi perdoado por Deus, e que eu também o perdôo. Eu gostaria de abraçá-lo, para que ele saiba que meu perdão é verdadeiro.”
Espontaneamente, alguns dos presentes começaram a cantar o hino Maravilhosa Graça, quando a senhora idosa se encaminhou para o banco das testemunhas, mas Van de Brock não ouviu o hino. Ele desmaiou arrasado.
Não se fez justiça naquele dia na África do Sul, como não se fez no país inteiro durante meses de dolorosos processos CVR. Algo além da justiça aconteceu. “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”, disse Paulo. Nelson Mandela e Desmond Tutu entenderam que, quando o mal está feito, uma só resposta pode vencê-lo. A vingança perpetua o mal. A justiça o pune. O mal é vencido pelo bem se a parte ofendida o absorver, recusando-se a permitir que ele avance ainda mais. E esse é o modelo de graça do outro mundo que Jesus mostrou em sua vida e morte.

Texto extraído do devocional “Sinais da Graça”- de Philip Yancey – 2011, p. 266 e 267.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Acessibilidade Chocante

Meu antigo pastor de Chicago, Bill Leslie, uma vez falou da transformação extraordinária da “aproximação de Deus”. Basta ler Levítico e depois as atividades da igreja primitiva do Novo Testamento para sentir mudança radical. Enquanto adoradores do Antigo Testamento se purificavam antes de entrar no templo e apresentavam oferendas a Deus por meio de um sacerdote, no Novo Testamento os seguidores de Deus (bons judeus, a maioria deles) reuniam-se em residências particulares e dirigiam-se a Deus com o informal Aba. Era um termo de afeto familiar, como “Papai”, e antes de Jesus ninguém teria pensado em aplicar essas palavras a Javé, o Senhor Soberano do Universo. Depois dele, ela se tornou a palavra padrão empregada pelos primeiros cristãos para dirigir-se a Deus em oração.
Durante a administração de John F. Kennedy, os fotógrafos algumas vezes registravam uma cena cativante. Sentados em volta do presidente em seus ternos cinza, membros do gabinete debatem questões de relevância internacional, como a crise dos mísseis de Cuba. Enquanto isso, uma criança, John John, de 2 anos de idade, escala a imensa mesa presidencial, sem prestar atenção ao protocolo da Casa Branca e às graves questões de Estado. John John estava simplesmente visitando o papai e, às vezes, para alegria de seu pai, ele invadia a Sala Oval sem sequer bater à porta.
Esse é o tipo de acessibilidade chocante transmitida pela palavra Aba pronunciada por Jesus. Deus pode ser o Senhor Soberano do Universo, mas, por meio de seu Filho, Deus se tornou tão acessível quanto qualquer amoroso pai humano. Em Romanos 8, Paulo aproxima ainda mais essa imagem de intimidade. O Espírito de Deus vive dentro de nós, diz ele, e quando não sabemos o que deveríamos orar “o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”.
Não precisamos nos aproximar de Deus usando uma escala de hierarquia, preocupados com nossa pureza. Se no reino de Deus houvesse uma faixa dizendo “proibida a entrada de excêntricos”, ninguém de nós poderia entrar. Jesus veio para demonstrar que um Deus perfeito e santo acolhe pedidos de ajuda de uma viúva com duas pequenas moedas, de um centurião romano, de um miserável publicano e de um ladrão na cruz. Nós só precisamos gritar “Aba” ou, se isso não for possível, simplesmente gemer. Deus se aproximou de nós a esse ponto.

Mensagem tirada de Sinais da Graça, de Philip Yancey, do dia 3 de setembro - Editora Mundo Cristão.