Seja Bem-Vindo. Hoje é

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A Religião Que Piora as Pessoas

No bairro havia um homem muito mau. Era viciado em drogas, traficante, beberrão, ladrão, assaltante, promíscuo, depravado e sem qualquer temor a Deus e respeito ao semelhante. Tudo o que fazia e realizava tinha como finalidade satisfazer seus interesses egoístas e criminosos.
Na localidade era conhecido como um ser irrecuperável e muito temido pelas pessoas. A vida dele consistia em cometer crimes e ser preso pela polícia.
O grau de degeneração moral desse homem era tão alto que ninguém, nem mesmo ele próprio, acreditava em recuperação e melhora. Todos concordavam que era um caso sem solução.
Mas o que parecia improvável, um dia aconteceu. Correu no bairro a notícia de que o devasso criminoso irrecuperável havia se convertido e estava frequentando uma igreja. Tinha deixado as drogas e o crime, não bebia mais, não frequentava mais lugares profanos e havia cortado o relacionamento com as pessoas de má índole. Sua vida agora era pautada pela devoção a Deus e busca da santidade.
Os cidadãos da cidade ficaram por demais aliviados com a mudança de vida daquele criminoso irrecuperável, porque agora não eram mais ameaçados por sua periculosidade. Não só a comunidade, mas também a polícia e a justiça agradeceram. A família, nem se fala.
A vida do ex-criminoso se resumia agora a frequentar o trabalho e a igreja. Era um exemplo vivo de transformação moral. O homem mau e iníquo transformou-se num homem bom e reto. Num modelo de comportamento moral que a lei e os bons costumes exigem da conduta humana. O que todo mundo queria e exigia aconteceu com aquele homem: mudança de vida.
Pois bem.
E se alguém afirmasse que o estado desse homem se tornou pior depois da transformação moral ocorrida em sua vida? Seria possível isso acontecer?
Pela lógica da razão humana tal afirmação soaria como algo absolutamente sem sentido, totalmente contrário a realidade dos fatos. Como um homem que abandonou uma vida dissoluta e criminosa para tornar-se exemplo e modelo de boa conduta pode agora estar em pior situação?! Afinal de contas, ele ajustou seu comportamento exatamente como queriam as pessoas que o rodeavam.
Por mais incrível e inacreditável que possa parecer, é exatamente assim que acontece com determinadas pessoas. A lógica da nossa justiça pessoal não consegue entender nem aceitar que seja verdade, mas, independentemente do quanto possa parecer ilógico, Jesus afirmou categoricamente o fato e acusou os fariseus de serem protagonistas no processo de tornar as pessoas piores.
São palavras do próprio Salvador:
Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês atravessam os mares e viajam por todas as terras a fim de procurar converter uma pessoa para a sua religião. E, quando conseguem, tornam essa pessoa duas vezes mais merecedora do inferno do que vocês mesmos. (Mateus 23.15 - NLTH)
De fato uma religião baseada em esforço humano e destituída da graça da cruz de Cristo torna as pessoas piores, apesar da aparência de piedade que ela possa produzir. O exterior é mudado para melhor, ao passo que o interior é transformado para pior.
O homem da história quando estava lá no lamaçal do pecado cometendo todo tipo de devassidão moral ainda tinha um pouco de amor e alegria no seu coração. Apesar da conduta reprovável, ainda conseguia em dados momentos olhar para o semelhante com olhos de misericórdia e tratá-lo como igual. Mas depois de ter sido feito seguidor de uma religião, qualquer resquício de graça e amor do seu coração foi retirado e apagado.
Dessa maneira acontece com a religião das obras. Ela transforma o estado espiritual das pessoas para pior, porque afasta a graça de Deus do centro e no seu lugar coloca os méritos pessoais. E o ser humano sem graça é um tirano impiedoso sem misericórdia. Matar e roubar, usar drogas e prostituir, ou cometer qualquer ato moralmente reprovável, nem se compara com os efeitos nefastos produzidos por um coração carregado de justiça própria: o afastamento de Deus.
A religião das obras diz: você é bom, você merece, você é o melhor, você é o primeiro, você é o mais importante, você decide seu próprio destino. São afirmações que alimentam e exaltam o ego humano. Já a religião da graça de Deus afirma: sem a justiça de Cristo você não é ninguém.
A religião das obras baseia-se em sacrifícios e comportamentos, ao passo que a religião da graça fundamenta-se exclusivamente na obra vicária de Cristo.
Jesus mostrou que os comportamentos humanos por mais radicais que possam ser não passam de comportamentos humanos. Que eles de fato mudam o exterior das pessoas, mas não o interior. Que o coração humano só pode ser mudado verdadeiramente pelo poder de Deus.
A religião das obras é um perigo, porque pode piorar as pessoas e afastá-las ainda mais de Deus!
A história contada aqui é hipotética, mas acontece todo dia nos arredores do mundo. No tempo de Jesus acontecia. Acontecia com as pessoas menos suspeitas.

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. (Efésios 2.8-9)


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Para onde você vai?



Na nossa roda de chimarrão com Jesus estávamos conversando sobre para onde vamos logo após a morte. Será que logo após a morte vamos para o céu ou será que a nossa alma fica dormindo até o dia da ressurreição dos mortos? Você já teve dúvidas sobre isso? Parece bobo questionar não é mesmo? Afinal que diferença fará saber, pois, já estaremos mortos mesmo! Mas tudo bem, é bom falarmos sobre isso porque com as dúvidas é que realmente buscamos a resposta e aprendemos o que a Palavra de Deus nos quer ensinar.
Vamos ver então o que descobrimos à luz da Bíblia. A primeira coisa que já sabemos, inclusive a ciência prova isso, é que o corpo humano volta à terra, pó ao pó. É o que está registrado em Gênesis 3.19:
“Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará.”
E nesse estado de pó o nosso corpo continua até a ressurreição do último dia (Jó 19.25-27; João 11.24). Na natureza acontece uma metamorfose, uma transformação natural com todas as coisas materiais. Ocorre, na verdade, uma constante composição e decomposição química. Isso também acontece com o nosso corpo. A alma desencarnada, espiritual, não se dissolve, nem é absorvida pela essência de Deus e não se torna parte de Deus. A alma como espírito criado, continua a existir como pessoa. Veja o que Jesus disse ao malfeitor na cruz: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso”. (Lucas 23.43). E também na história do rico e do Lázaro vemos que a identidade da pessoa permanece após a morte (Lucas 16. 22,23). Vejam o que Paulo disse: “desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor” (Filipenses 1.23).
Assim descobrimos que a nossa alma fica separada do corpo até que volte a ser unida com o corpo físico no último dia. “Pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão”(João 5.28,29). Concluímos então que o nosso corpo vai ser restaurado e unido à alma novamente.

E finalmente... vamos à pergunta que mais nos intrigou:
Onde ficam as almas logo após a morte?
Podemos citar vários textos bíblicos que afirmam que no momento da morte, as almas dos crentes (aqueles que crêem em Jesus como seu Salvador) vão direto para o céu. Jesus disse ao malfeitor que naquele mesmo dia ele estaria no paraíso. Estevão disse na hora da sua morte: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (Atos 7.59). Todo aquele que morre crendo no Senhor é bem-aventurado “desde agora” (Apocalipse 14.13). Paulo quando disse que desejaria estar com Cristo acrescenta que é “incomparavelmente melhor” (Filipenses 1.23,24). E quanto aos incrédulos suas almas estão em prisão (1Pe 3.19-20). A Bíblia se refere a Judas dizendo que foi para o seu “devido lugar” (Atos 1.25). A história do rico e do Lázaro também mostra que o ímpio, depois da morte está em tormento (Lucas 16.23). As almas permanecem no céu ou no inferno até o dia do juízo, quando serão reunidas com seus corpos. Os crentes verão a Deus (Jó 19.26), e os incrédulos irão de corpo e alma ao tormento eterno (Mateus 10.28).
Muito claro não é mesmo!

Mas, ainda temos uma dúvida.
E aquelas passagens que se referem “aos que dormem” o que será que elas querem dizer?
I Tessalonicenses 4: 13-17. “Irmãos, não queremos que vocês sejam ignorantes quanto aos que dormem, para que não se entristeçam como os outros que não têm esperança.”...

I Coríntios 15: 51-57. “Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados,  num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta.”

João 11:11. “Depois de dizer isso, prosseguiu dizendo-lhes: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou até lá para acordá-lo”.

Bem, pesquisando a respeito descobrimos que tanto Jesus como Paulo trata os mortos como "os que dormem". Esta expressão era uma palavra de consolo para os irmãos tessalonicenses. Esta descrição é bastante consoladora, pois realça que a morte é um estado temporário, durará apenas pouco tempo. Assim como quem dorme acordará, também quem está morto ressuscitará (1 Coríntios 15:21-22). A morte e a ressurreição de Jesus são a garantia também da nossa ressurreição. Pois no último dia todos serão ressuscitados, Paulo fala aqui apenas dos "mortos em Cristo", ou seja, daqueles que morrem crendo em Jesus (I Tess 4:16). O verdadeiro consolo é que a morte física dos fiéis não tira deles o galardão. De fato, quando Cristo voltar, eles ressuscitarão primeiro e virão em sua companhia para buscar os fiéis que ainda vivem (I Tess 4: 14-18).
Muito esclarecedor não é mesmo!

Fonte: Bíblia Sagrada
Sumário da Doutrina Cristã

Por Michele Abeldt Schumacker.

domingo, 28 de outubro de 2012

A Reforma Protestante do Século XVI

1 – O QUE FOI A REFORMA PROTESTANTE?

A Reforma Protestante foi um movimento religioso iniciado no século XVI, na Alemanha, cujo principal personagem foi Martinho Lutero. Em 31 de outubro de 1517 Lutero afixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg 95 teses, por meio das quais protestava contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica e propunha uma reforma no catolicismo.Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco Solas. Sola é uma palavra de origem latina que significa “somente” (Sola fide: somente a fé; Sola scriptura: somente a Escritura; Solus Christus: somente Cristo; Sola gratia: somente a graça; e Soli Deo gloria: glória somente a Deus).Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus e provocou uma revolução religiosa, que iniciou na Alemanha e estendeu-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria.Todas as igrejas cristãs existentes hoje, chamadas de Igrejas Protestantes, com exceção da Igreja Católica, tiveram sua origem direta ou indiretamente nessa reforma religiosa iniciada por Martinho Lutero.

2 – POR QUE A REFORMA PROTESTANTE ACONTECEU E O QUE ELA DESEJAVA MUDAR?
A Reforma Protestante aconteceu por causa de vários erros de doutrina existentes na igreja daquela época: a Escritura Sagrada, que era restrita apenas aos líderes, não era a única fonte de autoridade em regra de fé, mas acrescentava-se a ela a Sagrada Tradição (ensinamentos transmitidos pelos Bispos e Papas de geração em geração com a mesma autoridade da Escritura). Ao papel de mediador de Cristo entre Deus e os homens era acrescentada a mediação de Maria, dos santos e do Papa. À salvação pela graça mediante a fé eram acrescentados obras e méritos humanos. Por conseqüência, esses erros levavam o povo a adorar e glorificar muito mais a igreja e suas tradições do que o próprio Deus. (Existiam ainda outros desvios da Palavra, no entanto esses apresentados são os principais).Diante desse quadro o movimento da Reforma Protestante desejava reformar esses erros doutrinários: pregava que a Bíblia é a única fonte de fé, podendo e devendo ser lida e estudada por qualquer pessoa; que Cristo é o único e exclusivo mediador entre Deus e os homens, não existindo qualquer outra forma de mediação; que a salvação da alma do pecador opera-se única e exclusivamente pela graça mediante a fé, independentemente de sacrifícios ou obras, por melhor que sejam; e que Deus deve ser a única pessoa a ser adorada e glorificada, por mais devota e digna de respeito que seja qualquer pessoa ou ser.

3 – QUAL O LEGADO DA REFORMA PROTESTANTE PARA A IGREJA, OU SEJA, O QUE A REFORMA TROUXE DE BOM PARA A IGREJA CRISTÃ?

A Reforma Protestante resgatou as verdades fundamentais da doutrina cristã: Que a Bíblia é a única fonte de autoridade de fé e conduta para os filhos de Deus aqui na Terra; que Jesus Cristo é o único e exclusivo mediador entre Deus e os seres humanos; que a salvação da alma do pecador somente é obtida pela graça, por meio da ; que apenas Deus deve ser adorado e glorificado.Naquela época apenas os padres, bispos, Papas e teólogos tinham acesso a um exemplar das Escrituras Sagradas, pois afirmavam e ensinavam que só a eles era dado o entendimento dos textos bíblicos. Com a Reforma, elas foram reproduzidas em grande escala e distribuídas para todos aqueles que desejavam ter um exemplar. Com a leitura e o ensino da Bíblia as pessoas descobriram que elas mesmas podiam a qualquer tempo ter acesso a Deus, através do único mediador que é Cristo Jesus. Também descobriram que o perdão e a salvação não dependem de penitências, indulgências, esmolas, jejuns ou qualquer outra obra humana, mas somente da obra redentora de Cristo realizada na cruz do calvário. Ainda, descobriram que a consciência humana deve obediência apenas a Deus, e não a determinada denominação ou líder religioso. E por fim, descobriram que Deus não elege uma pessoa para ser seu representante aqui na Terra, mas que todo aquele que pela fé crê em Deus é um sacerdote de propriedade exclusiva de Deus, com a missão de proclamar as virtudes Daquele que chama o pecador das trevas da perdição para a maravilhosa luz do evangelho.


4 – QUEM FOI MARTINHO LUTERO?
Martinho Lutero era um padre. Ele nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, na Alemanha, e morreu na mesma cidade no dia 18 de fevereiro de 1546, com 62 anos.De família humilde, seus pais deram-lhe estudo para que tivesse uma vida menos difícil e sofrida. Lutero aproveitou a oportunidade e se dedicou aos estudos, formando-se em artes, lógica, retórica, física e filosofia. Tornou-se também mestre em matemática, metafísica e ética. Depois cursou teologia e foi ordenado padre, recebendo mais tarde o título de doutor em teologia.Depois que foi expulso da igreja, Martinho Lutero casou-se com a ex-freira Catarina de Bora, com quem teve vários filhos.Ele traduziu a Bíblia para o alemão, contribuindo, com esse fato, para ser o principal responsável pela formação da língua alemã moderna, que naquele tempo era apenas dialeto.Martinho Lutero era professor, pregador, tradutor, conhecedor de várias línguas, compositor de hinos, teólogo e escritor.

5 – QUE FONTE REVELOU A MARTINHO LUTERO QUE A GRAÇA DE DEUS É REALMENTE DE GRAÇA?
Existem várias religiões, seitas e movimentos religiosos que nasceram com base em supostas revelações sobrenaturais divinas. Líderes alegam terem recebido a visita de Deus através de sonhos, visões ou outros tipos de revelações, e por isso afirmam estar com a verdade a respeito das coisas que pregam.Com Martinho Lutero isso não aconteceu. A fonte usada pelo Espírito Santo para mostrar a Lutero que a salvação da alma do pecador realmente é de graça foi a revelação escrita das Sagradas Escrituras. Ali, na Bíblia, ele descobriu o seguinte versículo no livro de Romanos, 1.17: “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”. Na versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje, diz assim: “Pois o evangelho mostra como é que Deus nos aceita: é por meio da fé, do começo ao fim. Como dizem as Escrituras Sagradas: ‘Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus’”.Lutero, que antes havia se empenhado de forma espetacular para agradar a Deus por meio das suas obras, descobriu finalmente que tudo aquilo que de melhor podia produzir não era capaz de aproximá-lo de Deus. Mesmo tendo uma moral exemplar através de suas obras de penitência e abnegação, não conseguia de jeito nenhum encontrar a paz de espírito e a alegria da salvação. Quanto mais tentava agradar a Deus, mais se sentia distante de Dele. Era semelhante a alguém tentando mover uma pedra grande e pesada fazendo uso de uma corda de borracha: quanto mais puxava a corda, mais a corda se esticava e mais a pedra ficava distante.Mas fazendo uso somente da Bíblia Sagrada Lutero descobriu que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens, e que a salvação é de graça e a fé, um dom. A partir do momento dessa descoberta o movimento que mais tarde se chamaria Reforma Protestante irrompeu com uma força que ninguém pôde conter.Portanto, a fonte que o Espírito Santo usou para dizer a Martinho Lutero que “ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça” (Romanos 4.4-5), foi a Bíblia. Não foi arrebatamento, visão, sonho nem outra revelação que iluminou Lutero, mas a revelação escrita da Palavra. Foi na Bíblia que ele soube que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11.6).

6 – E SE NÃO FOSSE MARTINHO LUTERO, TERIA HAVIDO REFORMA NA IGREJA?
Lutero era uma pessoa dotada de grandes capacidades intelectuais, tinha muita sabedoria, mas não foi por esse fato que Deus o usou. Martinho Lutero foi usado na Reforma Protestante apenas porque Deus o escolheu para essa tarefa. Além do mais, na época havia vários outros reformadores que foram usados para realizar a Reforma Protestante fora da Alemanha, como Calvino, Úlrico Zwinglio, Guilherme Farel e Jonh Knox. Lutero, perante os homens, foi o maior deles.Se não fosse Lutero, teria sido o “João”, o “Sicrano” ou o “beltrano”, ou qualquer outra pessoa, porque “se eles se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lucas 19.40).É sempre bom lembrar que Lutero não queria criar outra igreja ou dividir a Igreja Católica. Ele lutou incansavelmente na tentativa de convencer seus líderes religiosos de que a graça de Deus é realmente de graça, mas não conseguiu.Um sistema, principalmente o sistema religioso, é muito difícil de ser mudado, praticamente impossível (Jesus não se preocupou em mudar o sistema da religião dos Judeus, e sim, as pessoas). No entanto, a ação do Espírito Santo não fica preso dentro de quatro paredes de uma igreja, muito menos limitada a teologias, doutrinas, liturgias, costumes, tradições, estatutos, concílios, líderes ou qualquer outra forma de "prisão" do evangelho de Cristo.Porque, como o Salvador mesmo disse: “o vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai” (João 3.8).

7 – SE LUTERO VIVESSE HOJE, QUAL A FALSA DOUTRINA QUE ELE MAIS COMBATERIA?
Se Martinho Lutero vivesse hoje certamente haveria de realizar uma nova reforma dentro da chamada Igreja Evangélica. Como naquele tempo, também seria perseguido e rejeitado por causa do evangelho da graça.Com o tempo a igreja reformada, chamada de protestante, foi aos poucos introduzindo novas “versões” do evangelho de Deus em seu meio, chegando ao ponto de até perverter totalmente a boa nova de salvação resgatada pelos reformadores no século XVI.Na época de Lutero a situação doutrinária da igreja estava muito feia, quando chegou ao cúmulo do absurdo de se “vender” a salvação por meio das indulgências – pagamento em dinheiro pelo perdão. Hoje, infelizmente, dentro de muitos círculos evangélicos nem da salvação se fala. Lá, no século XVI, ainda se “vendia” a salvação; nos nossos dias, em boa parte da igreja nem de salvação se fala mais, mas se “vende” curas, saúde física, instrução para se alimentar e vestir, dinheiro, riqueza e prosperidade, sucesso pessoal e profissional, conduta ética e moral, teologias, doutrinas, costumes, tradições, liturgias e um tanto mais de “mercadorias” religiosas. Talvez em nosso tempo o evangelho da graça de Deus esteja sendo mais pervertido e comercializado do que na época da Reforma. Se o reformador Martinho Lutero viesse hoje nos visitar, com certeza ficaria muito decepcionado e faria a maior arruaça dentro das nossas igrejas. Ele começaria uma nova reforma pregando a mesma mensagem da justificação pela fé contra a mesma e maior das heresias: a salvação por obras.Mas graças a Deus que o Espírito Santo tem levantado mundo afora muitos “Martinhos Luteros” que não se acovardam e têm coragem de proclamar que a GRAÇA de Deus é de GRAÇA mesmo.Porque, afinal de contas, a mensagem do evangelho da graça não muda nunca:
“visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”.

Na justiça de Cristo, de fé em fé, amém.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Diário da Vida Real


Nas nossas visitas de domingo ao hospital público temos aprendido grandes lições de vida as quais não poderíamos enumerar. As experiências às vezes nos assustam, nos surpreendem, nos emocionam, nos chocam. Ao encontrarmos as pessoas lá hospitalizadas podemos ver de perto as suas dificuldades e uma pequena parcela dos seus problemas. Podemos ouvir suas carências, conversar, confortar e dar um pouco do apoio espiritual que elas precisam. E apesar de todos os seus problemas, muitas delas têm aceitado o evangelho pregado lá. E isto para nossa surpresa.

No último domingo o que mais nos chocou foi o fato de que em todos os quartos havia pessoas com problemas graves. No primeiro quarto estava um senhor que não tinha as pernas, não podia andar e nem falar; para as coisas mais simples do nosso cotidiano ele precisava de ajuda. No quarto seguinte estava um deficiente mental com problemas respiratórios graves. No outro, uma mãe prestes a dar à luz a um bebê de oito meses, que ainda não estava pronto. Ela sentia muitas dores. Havia também um morador de rua, provavelmente doente por causa do álcool, sem família e sem ninguém para olhar por ele. No último quarto estava uma senhora de aproximadamente 85 anos com problemas graves de visão e que há trinta anos não pode enxergar. Por causa da falta de visão e ausência de movimentos ela desenvolveu uma atrofia nos membros inferiores. Ela já não fala com clareza e não ouve bem.
O que fazer diante desta tão difícil realidade? O que dizer para aquelas pessoas? Dizer que a vida é assim mesmo? Seria muito cruel! E se disséssemos que Deus poderia curá-las se elas tivessem fé, estaríamos lhes atribuindo uma responsabilidade que elas não poderiam suportar. O que dizer então? Sinceramente eu não sabia o que dizer, assim como não sei agora.
Mas, creio que movidos pelo Espírito Santo falamos do Amor infinito de Deus por cada uma daquelas pessoas.
Falamos que ele sabe o que é sofrer, assim como elas sabem.
Falamos que ele deu o seu único Filho Jesus Cristo, para pagar pelo pecado de todas as pessoas, porque ele as ama com um amor eterno.
Falamos que um dia todo esse sofrimento terá fim e que todo aquele que crê nestas palavras: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu único Filho para que todo aquele que nele crê não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16), terá a vida verdadeira.
E... por mais incrível que possa parecer, não houve rejeição por parte deles. Eles aceitaram e confirmaram sua fé em Jesus imediatamente. De onde menos esperávamos veio a certeza da esperança e uma confiança ardente nas palavras de Jesus.

Michele
Espigão do Oeste – RO
18/09/2012

Graça em Ação: Além da Justiça


Graça significa que nada do que fazemos na vida nos exclui do amor de Deus. Significa que ninguém está excluído da redenção, nenhuma mancha humana está excluída da purificação. Vivemos num mundo que julga as pessoas pelo comportamento e exige que criminosos, devedores e os que são moralmente fracassados arquem com as conseqüências de seus atos. Até a própria igreja acha difícil perdoar quem falha.
A graça é irracional, incorreta, injusta e só faz sentido se eu acreditar num outro mundo governado por um Deus misericordioso que sempre concede uma nova oportunidade. Maravilhosa Graça, um hino extraordinário que, há pouco tempo, ocupou os primeiros lugares nas paradas da música popular exibe a promessa de que Deus julga as pessoas não por aquilo que elas foram, mas pelo que elas poderiam ser, não pelo passado delas, mas pelo seu futuro. John Newton, um rude e grosseiro traficante de escravos, “um miserável como eu”, escreveu aquele hino depois de ser transformado pelo poder da maravilhosa graça.
Ao ver a graça em ação, o mundo faz silêncio. Nelson Mandela ensinou-nos uma lição sobre a graça quando, após deixar a prisão onde passou 27 anos para ser eleito presidente da África do Sul, pediu a seu carcereiro que se juntasse a ele no palanque da cerimônia de posse. Em seguida, nomeou o bispo Desmond Tutu para chefiar um conselho oficial do governo com o nome assustador de Comissão da Verdade e Reconciliação. Mandela procurou dissipar o padrão natural de vingança que vira em tantos países, onde uma raça ou tribo oprimida tomara de outra o controle político.
Durante os dois anos e meio seguintes, a África do Sul ouviu relatos de atrocidades que saíram das audiências CVR. As regras eram simples: se um policial ou um oficial militar branco enfrentasse voluntariamente seus acusadores, confessasse seu crime e reconhecesse completamente sua culpa, ele não poderia ser julgado e punido por aquele crime. Defensores da linha dura criticaram a óbvia injustiça de deixar criminosos em liberdade, mas Mandela insistiu que o país precisava de cura, mais até do que de justiça.
Numa das audiências da CVR, um policial chamado Van de Brock relatou um incidente em que ele e outros oficiais mataram a tiros um rapaz de dezoito anos e queimaram seu corpo. Oito anos depois, Van de Brock voltou à mesma casa e pegou o pai do rapaz. A mulher foi forçada a olhar enquanto os policiais amarraram seu marido sobre um monte de lenha, derramaram gasolina sobre o corpo dele e atearam-lhe fogo.
O tribunal ficou em silêncio quando a mulher idosa que havia perdido primeiro o filho e depois o marido teve a oportunidade de responder. “O que a senhora deseja do sr. Van de Brock?” perguntou o juiz. Ela disse que queria que Van de Brock fosse ao local onde haviam queimado o corpo de seu marido e recolhesse as cinzas, para que ela pudesse dar a ele um sepultamento decente. Cabisbaixo, o policial acenou concordando.
Depois ela acrescentou outro pedido: “O sr. Van de Brock tirou-me toda a família, e eu ainda tenho muito amor para dar. Duas vezes por mês, eu gostaria que ele viesse até o gueto e passasse o dia comigo, de modo que eu possa ser uma mãe para ele. E gostaria que o sr. Van de Brock soubesse que ele foi perdoado por Deus, e que eu também o perdôo. Eu gostaria de abraçá-lo, para que ele saiba que meu perdão é verdadeiro.”
Espontaneamente, alguns dos presentes começaram a cantar o hino Maravilhosa Graça, quando a senhora idosa se encaminhou para o banco das testemunhas, mas Van de Brock não ouviu o hino. Ele desmaiou arrasado.
Não se fez justiça naquele dia na África do Sul, como não se fez no país inteiro durante meses de dolorosos processos CVR. Algo além da justiça aconteceu. “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem”, disse Paulo. Nelson Mandela e Desmond Tutu entenderam que, quando o mal está feito, uma só resposta pode vencê-lo. A vingança perpetua o mal. A justiça o pune. O mal é vencido pelo bem se a parte ofendida o absorver, recusando-se a permitir que ele avance ainda mais. E esse é o modelo de graça do outro mundo que Jesus mostrou em sua vida e morte.

Texto extraído do devocional “Sinais da Graça”- de Philip Yancey – 2011, p. 266 e 267.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Acessibilidade Chocante

Meu antigo pastor de Chicago, Bill Leslie, uma vez falou da transformação extraordinária da “aproximação de Deus”. Basta ler Levítico e depois as atividades da igreja primitiva do Novo Testamento para sentir mudança radical. Enquanto adoradores do Antigo Testamento se purificavam antes de entrar no templo e apresentavam oferendas a Deus por meio de um sacerdote, no Novo Testamento os seguidores de Deus (bons judeus, a maioria deles) reuniam-se em residências particulares e dirigiam-se a Deus com o informal Aba. Era um termo de afeto familiar, como “Papai”, e antes de Jesus ninguém teria pensado em aplicar essas palavras a Javé, o Senhor Soberano do Universo. Depois dele, ela se tornou a palavra padrão empregada pelos primeiros cristãos para dirigir-se a Deus em oração.
Durante a administração de John F. Kennedy, os fotógrafos algumas vezes registravam uma cena cativante. Sentados em volta do presidente em seus ternos cinza, membros do gabinete debatem questões de relevância internacional, como a crise dos mísseis de Cuba. Enquanto isso, uma criança, John John, de 2 anos de idade, escala a imensa mesa presidencial, sem prestar atenção ao protocolo da Casa Branca e às graves questões de Estado. John John estava simplesmente visitando o papai e, às vezes, para alegria de seu pai, ele invadia a Sala Oval sem sequer bater à porta.
Esse é o tipo de acessibilidade chocante transmitida pela palavra Aba pronunciada por Jesus. Deus pode ser o Senhor Soberano do Universo, mas, por meio de seu Filho, Deus se tornou tão acessível quanto qualquer amoroso pai humano. Em Romanos 8, Paulo aproxima ainda mais essa imagem de intimidade. O Espírito de Deus vive dentro de nós, diz ele, e quando não sabemos o que deveríamos orar “o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”.
Não precisamos nos aproximar de Deus usando uma escala de hierarquia, preocupados com nossa pureza. Se no reino de Deus houvesse uma faixa dizendo “proibida a entrada de excêntricos”, ninguém de nós poderia entrar. Jesus veio para demonstrar que um Deus perfeito e santo acolhe pedidos de ajuda de uma viúva com duas pequenas moedas, de um centurião romano, de um miserável publicano e de um ladrão na cruz. Nós só precisamos gritar “Aba” ou, se isso não for possível, simplesmente gemer. Deus se aproximou de nós a esse ponto.

Mensagem tirada de Sinais da Graça, de Philip Yancey, do dia 3 de setembro - Editora Mundo Cristão.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Examinem-se


“Examinem-se para descobrir se vocês estão firmes na Fé. Com certeza vocês sabem que Jesus Cristo está unido com vocês, a não ser que vocês tenham falhado completamente” 2 Coríntios 13:5

PERGUNTAS & RESPOSTAS
Verdadeiro ou Falso? O sofrimento de Jesus não foi completo. O sofrimento dos cristãos contribuiu para a complementação do sofrimento dele, conforme vemos na afirmação de Paulo: “O que eu sofro no meu corpo pela Igreja, que é o corpo de Cristo, está ajudando a completar os sofrimentos de Cristo em favor dela” (Colossenses 1:24).

Falso: Jesus sofreu total e completamente todas as coisas para a sua salvação e para a salvação do mundo inteiro. Ele pregou da cruz: “Está consumado!” (João 19:30). A palavra grega que ele usou para dizer isso pode também ser traduzida como: “Tudo está completado” ou “A dívida foi totalmente paga”. Assim, o sofrimento cristão não contribuiu nada para o mérito do sofrimento de Cristo.
Quando Paulo diz “o que eu sofro no meu corpo pela Igreja... está ajudando a completar os sofrimentos de Cristo em favor dela” (Colossenses 1:24), ele não está querendo dizer que o sofrimento de Cristo foi incompleto ou inacabado, Ele está falando, isto sim, sobre o sofrimento da igreja, que ele também chama de corpo de Cristo” (Colossenses 1:24). O sofrimento da igreja nas mãos do mundo não estará completo até o Último Dia.

Verdadeiro ou Falso? Sempre que um cristão sofre por qualquer motivo, ele está tomando parte nos sofrimentos de Jesus.

Falso: A Bíblia certamente fala sobre cristãos que participam do sofrimento de Cristo como resultado de confessarem sua fé nele (Mateus 5:11; Romanos 8:17; 2 Corintios 1:5; Filipenses 3:10; Pedro 4:13). Entretanto, algumas vezes os cristãos também sofrem por causa de seus próprios erros. Por exemplo, o ladrão que estava na cruz recebeu a pena de morte como resultado de seus crimes, e não como resultado de sua fé (Lucas 23: 40-43). Esse tipo de sofrimento não é uma participação no sofrimento inocente de Cristo, mas simplesmente um “ser castigado” por fazer o mal. (1Pedro 2:20).

Verdadeiro ou Falso? Deus permite que seus filhos sofram, não porque ele é arbitrário ou cruel, mas porque ele é um Pai amoroso.

Verdadeiro: Esta é a mensagem que seu amoroso Pai celestial repete muitas vezes para você: “Porque o SENHOR corrige quem ele ama, assim como um pai corrige o filho a quem ele quer bem” (provérbios 3:12). E também: “Suportem o sofrimento com paciência como se fosse um castigo dado por um pai, pois o sofrimento de vocês mostra que Deus os está tratando como seus filhos. Será que existe algum filho que nunca foi corrigido pelo pai?
Se vocês não são filhos de verdade, mas filhos ilegítimos. No caso dos nossos pais humanos, eles nos corrigiam, e nós os respeitávamos. Então devemos obedecer muito mais ainda ao nosso Pai celestial e assim viveremos. Os nossos pais humanos nos corrigiam durante pouco tempo, pois achavam que isso era certo; mas Deus nos corrige para o nosso próprio bem, para que participemos da sua santidade. Quando somos corrigidos, isso no momento nos parece motivo de tristeza e não de alegria. Porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz” (Hebreus 12:7-11). Outras passagens bíblicas importantes incluem Deuteronômio 8:1-5; Jó 5:17; Tiago 1:2-4 e Pedro 1:3-9.

Fonte: Mensagem extraída da Revista Boas Novas, nº. 23, ano de 2011.

domingo, 5 de agosto de 2012

Perdão, Amor e Graça

Texto base: João 21-1-25

 O registro bíblico do capítulo 21 do evangelho de João mostra como o Salvador Jesus trata com os pecadores. O elemento fundamental e norteador do relacionamento de Deus com suas criaturas é o amor.
Na oportunidade os discípulos de Jesus estavam numa praia, provavelmente um lugar maravilhoso, sentiam o vento, a brisa, o ar. Eles respiravam o cheiro da água, o cheiro do mar. E o mar de Tiberíades onde estavam não era um lugar qualquer, era o mar da Galiléia, de água doce e o maior de Israel localizado numa das regiões mais férteis do mundo. Era de madrugada, o que tornava a brisa ainda mais suave.
Para surpresa dos discípulos ao retornarem da pescaria, Jesus estava na praia com um lanche preparado à espera deles. Provavelmente eles estavam com muita fome, pois passaram a noite pescando. Na ocasião Jesus já havia sido morto, a crucificação já acontecera e era a terceira vez que se manifestava a eles.
Depois da pescaria e de terem se alimentado, talvez Jesus tenha chamado Pedro para andarem juntos pela praia. Imagine o que não se passava no coração de Pedro, o discípulo traidor! Durante o ministério de Jesus Pedro foi o mais destemido e fiel dos discípulos, aquele que prometeu fazer tudo o que fosse preciso para defender seu Mestre, mesmo que lhe custasse a própria vida (Mateus 26.31-35). O privilegiado Pedro que presenciou os milagres do Filho de Deus (Mateus 4.23-24), que andou sobre as águas, aquele que prometeu amor eterno a seu Mestre, chegando até ao ponto de ferir um soldado em sua defesa (João 18.10-11). É de Pedro uma das afirmações mais inspiradoras da Bíblia: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo” (Mateus 16.15-20).
Por incrível que pareça foi esse mesmo Pedro que negou conhecer Jesus. Pedro negou ajuda, negou amparo, negou amor, negou sua promessa de estar sempre ao lado de Jesus. Pedro negou porque teve medo. Medo de perder sua reputação e medo de ser preso e morto como acabou ocorrendo com seu Mestre.
Esse mesmo Pedro, o Pedro traidor, o seguidor que havia negado seu Mestre, estava agora com os outros discípulos conversando com o Jesus ressuscitado. O Salvador então lhe perguntou: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros?”. Pedro respondeu afirmativamente, recebendo de Jesus a missão de cuidar das “ovelhas” de Deus. Pela segunda vez Jesus perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Pedro deu a mesma resposta e recebeu a mesma ordem do seu Mestre Jesus. Pela terceira e última vez, o Mestre perguntou a seu discípulo: “Simão, filho de João, tu me amas?”. Entristecido, respondeu como nas duas primeiras vezes: “Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo”. E Jesus agiu igualmente: “Apascenta as minhas ovelhas”, pondo fim ao assunto com o chamado: “segue-me”.
A tríplice afirmação de Pedro repara publicamente sua tríplice negação. As três confissões em contraposição às três negações funcionaram como uma espécie de compensação, liberando-o da culpa psicológica.
A história de Pedro também é a nossa história. Apesar de afirmarmos com grande convicção de que nunca negaremos o Salvador, a verdade é que, assim como Pedro, também o negamos naquelas ocasiões em que o nosso testemunho pode nos causar constrangimentos. Quem já não sentiu vergonha ou medo de testemunhar a fé diante de determinadas pessoas ou em certos ambientes?! E se nosso testemunho pudesse acarretar em morte, como acontece em alguns países hostis ao evangelho de Cristo?! E o que dizer da omissão de testemunho por causa das conveniências?!
O discípulo Pedro estava numa situação nada conveniente, pois sabia que o seu testemunho naquela circunstância também o poderia levar à prisão e morte. Apesar do pecado da traição, Pedro ainda se saiu melhor que os outros companheiros, porque foi o único que ainda tentava, mesmo de forma camuflada, seguir o Mestre numa situação de perigo para a sua vida.
Esse acontecimento na vida de Pedro nos transmite duas verdades principais.
Primeira: O perigo da autoconfiança.
Pedro pensava ser o que na verdade não era: infalível, perfeito, superior aos outros. Quando Jesus disse que todos os seus discípulos haveriam de fugir na hora de sua prisão, Pedro disse todo confiante: “Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim (...). Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei” (Mateus 26.33-35). A autoconfiança impediu Pedro de reconhecer sua propensão natural para o pecado, de que era falho e um ser humano normal.
Quando nos tornamos autoconfiantes dependemos menos de Deus, o orgulho instala-se em nosso ser e a partir daí passamos a agir como se fôssemos imunes ao pecado. A atitude de autoconfiança pode levar o cristão a relaxar na sua dependência da Palavra de Deus, meio pelo qual o Espírito Santo sustém e fortalece a fé e capacita a resistir às tentações da carne, do mundo e do diabo.
Não é à toa que o escritor de Provérbios registrou que “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Cap. 16, verso 18).
Ao contrário, deve o crente ser humilde e estar ciente de sua propensão natural para o pecado, dependendo em todo o tempo da ajuda do Espírito Santo na sua jornada espiritual terrena. Assim se comportando dependerá mais da Palavra que procede de Deus e oferecerá menos risco à fé pessoal. 1 Coríntios 10.12 nos alerta: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”.
A autoconfiança de Pedro o levou ao orgulho espiritual, que por sua vez o fez negar o salvador. Aparentemente Pedro mostrava ser o discípulo mais recomendado do grupo, no entanto foi o que teve a maior queda. A negação de tudo aquilo que antes havia prometido com tanta veemência cooperou para quebrar a soberba de Pedro, mostrando a fraqueza da carne e a necessidade de dependência humilde da Palavra de Deus.
Depois do acontecimento, Pedro nunca mais foi o mesmo. Ele próprio mais tarde escreveu, por inspiração divina: “no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça” (1 Pedro 5.5). Que transformação maravilhosa!
Segunda lição: O trato do Salvador com Pedro depois da negação indica a forma pela qual Deus se relaciona com o pecador: Graça.
Jesus não colocou Pedro sob disciplina eclesiástica, não pediu que fizesse penitência, não o suspendeu da santa ceia, não lhe ordenou que se batizasse novamente, não o colocou na frente do público para pedir perdão nem o acusou com sermões sobre o fogo do inferno com cheiro de enxofre. Jesus simplesmente perdoou.
Jesus não deixou de amar a Pedro por causa da traição. Assim também ele faz comigo e com você. Mesmo que falhamos, Jesus nunca deixa de nos amar, pois Ele é amor. Deus sabe que somos fracos e imperfeitos, que nossa melhor justiça é trapo da imundícia, que por nossas próprias forças não alcançamos a reconciliação para a vida eterna. É exatamente por saber de tudo isso que Cristo foi enviado ao mundo para nos salvar. Jesus falou com muita propriedade: “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10), “eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo” (João 12.47), “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores” (Marcos 2.17).
A missão do Salvador é perdoar e salvar pecadores; se a salvação fosse possível sem a graça divina, Jesus teria permanecido lá no céu sem precisar passar por tanto sofrimento e humilhação como passou aqui na Terra. Cristo veio por causa de pessoas como Pedro, por causa de pecadores como eu e você. Assim funciona a graça de Deus, um presente imerecido colocado a disposição de todos por intermédio da obra salvadora de Cristo Jesus.
Jesus disse a Pedro, e também a nós: “Segue-me”. Seguir a Cristo é percorrer pelo caminho aberto por Ele. Não devemos querer ir à sua frente, mas simplesmente segui-lo como nosso guia. O Salvador nos convida: Siga-me, fale do meu amor, ame, perdoe, creia, confie. Nós devemos percorrer por um caminho já aberto e percorrido por Cristo. Não fosse o Mestre, jamais poderíamos caminhar pelo caminho da vida eterna, porque ele não poderia existir.
Mesmo que seja difícil agir assim num mundo tão hostil ao evangelho, simplesmente ame e espalhe o amor de Jesus a todas as pessoas, indistintamente.
A atitude do Salvador Jesus para com o discípulo traidor revela a forma pela qual Deus se relaciona com o pecador: Amor, perdão e graça.

Na dependência do Espírito Santo, amém.

Por Michele Abeldt Schumacker (adaptação de Grimaldo Schumacker).

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Mandamentos de Conduta Positiva

Não matarás, não adulterarás, não furtarás etc, são mandamentos de conduta negativa, aqueles que proíbem que se pratique determinada ação.
Ide por todo mundo e pregai o evangelho, amarás o próximo como a ti mesmo, tive fome e me deste de comer etc, fazem parte da lista de mandamentos de ação positiva, aqueles que exigem que se pratique determinada ação.
Por algum motivo temos a tendência de observar e valorizar mais os mandamentos de ação negativa. É comum se ver testemunhos de pessoas convertidas baseados quase que exclusivamente nas ações negativas. “Eu matava, eu furtava, eu bebia, eu fumava, eu fazia; agora não mato, não furto, não bebo, não fumo, não faço mais”.
Já em relação aos mandamentos que exigem ação positiva, os testemunhos não são abundantes. “Eu não amava o próximo, não visitava os enfermos, não ajudava o semelhante, não pregava o evangelho; agora eu amo o próximo, visito os enfermos, ajudo os necessitados, anuncio o evangelho“. Imagine algum convertido indo à frente do público para dar esse testemunho!
A questão que se levanta é a seguinte: Por que baseamos nossa fé mais nas coisas que são proibidas, e não naquelas que demandam uma ação positiva de nossa parte?
No tempo de Jesus acontecia a mesma coisa. Por isso que o Salvador ordenou: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mateus 7.12); “como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lucas 6.31).
Naquela época não somente os Judeus, mas também outros povos tinham em alto valor a “regra de ouro” que dizia: “não façais aos outros aquilo que não quereis que façam a vós”. Jesus Cristo, porém, inverteu a ordem dessa regra, transformando-a em conduta positiva como princípio de ação, ordenando assim que saiamos da nossa comodidade para praticarmos o bem.
A comodidade das regras de ação negativa consiste no fato de que elas não exigem esforços fora do comum para serem praticadas. Basta abster-se de determinadas práticas tidas como proibidas e mais nada! Cumprimento de regras dessa natureza é deveras cômodo, visto que o praticante pode permanecer inerte dentro do seu mundo particular e individual usufruindo do conforto que as posses proporcionam, sem se preocupar em ir até onde o necessitado está à espera de ajuda.
Tal estilo de vida reduz a justiça de Deus e contraria o exemplo do evangelho pregado e vivido por Cristo, que era, é e sempre será fundamentado no princípio da ação positiva da prática do bem. Em Lucas 10.37, Jesus disse a um profissional religioso: “Vai e procede tu de igual modo”; no evangelho de Mateus 25.35-36, o Mestre ensinou: “tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me”; ao jovem rico, aconselhou: “vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me”. São regras que nos obrigam a sair da fortaleza de nossa zona de conforto material e ir até onde os necessitados estão à espera do amor e da graça de Deus. Essas virtudes divinas devem se tornar reais na vida das pessoas por meio das ações positivas dos que crêem.
Os religiosos contemporâneos de Jesus não estavam acostumados ao estilo de vida ensinado pelo Mestre, visto que a religião deles se baseava mais nas ações proibidas pela lei. Ao inverter a “regra de ouro” daqueles religiosos, o Salvador estava dizendo: “Saiam da ‘gaiola institucional’ de vocês e vão levar meu amor ao mundo através da prática do bem”.
A obstinação na observância de mandamentos de condutas negativas contribuiu sobremaneira para a cegueira espiritual daqueles profissionais da religião, ao ponto de anularem a própria graça de Deus em suas vidas. Tanto é que o Salvador fez questão de registrar a conseqüência desse fato em vários discursos.
Em duas histórias ilustrativas Jesus fala de um fariseu e de um filho que baseavam sua relação espiritual com Deus por meio de mandamentos de ação negativa: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano” (Parábola do Fariseu e o Publicano); “Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua” (Parábola do Filho Pródigo). É patente aos olhos a pobreza espiritual da vida desses personagens, os quais são representações de um povo cuja religiosidade morta baseava-se em regras destituídas de amor e misericórdia.
Não podemos reduzir a justiça de Cristo a um simples conjunto de regras morais, principalmente no que tange a condutas de ação negativa, senão correremos o sério risco de rebaixar a sua graça a simples comportamentos exteriores. O amor, fruto do Espírito que age de dentro para fora, necessariamente requer ação positiva para se manifestar no mundo a nossa volta.
Por todos esses argumentos conclui-se que o poder do evangelho de Cristo produz uma vida de movimento em direção às necessidades do próximo, porque quem é afetado pelo amor da graça de Deus não permanece inerte num mundo de regras mortas sem o poder de causar impacto na vida do semelhante.
Portanto, quem está cheio do amor do evangelho de Deus está pronto a atender à ordem do Salvador Jesus: “Vai e procede tu de igual modo”.

“como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles” (Lucas 6.31).

No amor de Cristo, amém.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Interesses Entrelaçados

Durante nossa jornada espiritual inevitavelmente sofremos influência de fatos e pessoas, que pode ser boa ou não. Depende de seu conteúdo.
Pela graça de Deus pude descobrir os livros do escritor norte-americano Philip Yancey, cujo conteúdo é excelente e serviu para abrir meu entendimento a respeito da graça salvadora de Deus e fortalecer minha fé.
No seu livro Sinais da Graça, leitura do dia 10 de julho, ele escreve a respeito de uma das finalidades da lei de Deus na vida do cristão.



Na minha infância, pensar sobre o pecado me aterrorizava. Na adolescência, isso me repugnava. Mas quando passei a pressentir Deus de modo mais preciso, como um médico ou como pai ou mãe, minhas defesas caíram por terra. Houve um tempo em que eu tinha uma caricatura de Deus como um velho rabugento e esquisitão, que bolou uma lista arbitrária de regras com o objetivo definitivo de assegurar que ninguém se divertisse. Agora percebo o verdadeiro propósito daquelas regras.
Todos os pais e mães conhecem a diferença entre regras designadas primeiramente para o próprio benefício (“Não converse enquanto estou ao telefone!”; “Arrume seu quarto – sua avó vai chegar!”) e aquelas designadas em benefício das crianças (“Use luvas e boné – lá fora está gelado. Mas não vá patinar no lago por enquanto!”). As regras de Deus se encaixam na segunda categoria. Na condição de Criador da raça humana, Deus sabia como a sociedade funcionaria melhor.
Passei a ver os dez mandamentos nessa luz, como regras designadas em benefício das próprias pessoas. Jesus sublinhou esse princípio quando disse: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”. A Bíblia é um livro extremamente realista e pressupõe que os seres humanos serão às vezes tentados a desejar uma vizinha ou a cobiçar a propriedade de alguém, a trabalhar demais, a reagir com raiva contra quem os ofendeu. Em resumo, ela pressupõe que nossa humanidade causará desordem em tudo o que tocarmos.
Cada um dos dez mandamentos oferece um escudo de proteção contra essa desordem, formulado de modo negativo. Diferentemente dos animais, temos a liberdade de dizer não aos nossos instintos básicos. Agindo assim, evitamos certos danos.
Tomados em conjunto, os dez mandamentos tecem a vida neste planeta, formando uma espécie de conjunto significativo, cujo propósito é permitir-nos viver como uma comunidade pacífica, sadia, submetida a Deus. Três anos atrás o comentarista bíblico Matthew Henry observou: “Aprouve a Deus com isso entrelaçar seus interesses com os nossos, de forma que, buscando sua glória, buscamos na verdade e de modo efetivo nossos próprios interesses”.

Os livros desse escritor constituem bom auxílio para uma compreensão mais clara da Palavra de Deus. Quem deseja se preparar melhor para instruir outros na fé cristã encontra neles ótimo instrumento de orientação espiritual.
A Palavra diz: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15).

Em Cristo Jesus, amém.