As ocorrências da vida diária parecem
provar que Deus não existe, ou, se existe, que Ele não se importa nem um pouco
conosco, com os nossos afazeres, com as nossas atividades do dia a dia, com os
nossos sofrimentos e angústias, com o nosso futuro, enfim, com o nosso destino.
No campo da oração podemos perceber
mais nitidamente o que estou falando. De cem pedidos que fazemos, pelo menos um
acreditamos ser atendido por Deus; quanto aos outros noventa e nove parece nem
mesmo terem sido feitos. E mesmo a petição que para nós foi ouvida e atendida
deixa margem para a dúvida: será mesmo que foi Deus que interveio ou foi fato
normal da vida que aconteceria de qualquer forma?
Lembro-me de que tempos atrás oramos
pela vida do filho do nosso pastor, que havia nascido prematuramente. Às presas
ele foi levado à capital para receber tratamento especial e se livrar da morte.
Depois de plenamente recuperado e fora de risco de vida endereçamos a Deus os
nossos mais ricos agradecimentos pelo livramento.
Meditando sobre esse fato em
particular não consigo evitar os seguintes questionamentos: (1) a recuperação da criança aconteceu
em resposta direta às nossas orações? (2)
E se não tivéssemos orado, sua saúde teria sido restabelecida como foi? (3) Seu livramento se deu em virtude da
ação exclusiva da medicina, ou teve alguma intervenção de Deus por causa das
orações? (4) E os outros tantos
casos semelhantes em que pessoas enfermas receberam muitas orações mas acabaram
morrendo, como as crianças que também estavam internadas no mesmo hospital? (5) E o que dizer das pessoas que não
recebem oração nenhuma e nem mesmo creem em Deus mas que tem a saúde
recuperada?
Como podemos obter prova cabal da
ação direta de Deus em nossas vidas, levando em consideração esses
questionamentos levantados na área da oração? Somos obrigados a admitir que são
questões difíceis de responder, que nos levam mais a duvidar da existência ou
ação de Deus que a acreditar Nele e na sua intervenção e providência.
Deus realmente existe? Se existe de
fato, Ele se importa conosco? Ele se manifesta aos nossos sentidos? Quando,
como, de que maneira podemos notar a ação divina de forma convincente e
irrefutável? Afinal, que prova temos da existência ou intervenção de Deus se a
experiência da vida parece mais mostrar o contrário?
Independentemente da crença ou
descrença em Deus as coisas seguem seu curso normal no mundo, mais parecendo
obra do acaso que resultado da ação de um Deus criador e mantenedor do
Universo. Pessoas nascem, vivem e morrem, e assim continua num ciclo indefinido
e interminável. A chuva vem e vai, o sol aparece e desaparece, há dia e noite,
entra ano e sai ano, e nesse compasso as coisas vão acontecendo sem, contudo,
mostrar de forma conclusiva provas da existência de um Deus que a tudo comanda
e ordena.
Às vezes nos flagramos perguntando se
vale a pena continuar nossa caminha de fé acreditando em quem não vemos e cuja
existência não podemos provar. Como gostaríamos de receber uma visitação
sobrenatural de Deus que pusesse fim a todas as nossas dúvidas e indagações a
respeito da existência! No entanto isso não acontece, ao menos da forma como
esperamos.
Mas, se deixarmos de acreditar em
Deus e na promessa de uma vida depois da morte vamos crer em quê? Será que o
ser humano consegue viver sem crer em algo? O mundo é obra do acaso ou há um
Arquiteto por trás de tudo? Qual o sentido da vida? Quem somos, de onde viemos,
a que viemos e para onde vamos? São indagações que já nascem no coração do ser
humano e o acompanham por toda a vida, mesmo nos mais céticos. Ninguém é capaz
de responder satisfatoriamente essas questões, nem a religião nem a ciência. O
que cremos a respeito delas é apenas crença, e nada mais. Mas mesmo assim
ansiamos por provas concretas capazes de pôr um fim definitivo em nossas dúvidas
e incertezas!
Apesar do desejo por provas elas não
aparecem, e assim continuamos na jornada de fé como uma pessoa que caminha pelo
deserto sem direção e quase morrendo de sede na busca de uma fonte de água para
saciar-se. No entanto, mesmo diante da aridez e imensidão do deserto, ela
recusa-se a desistir; mesmo não sabendo se vai encontrar uma fonte de água para
saciar sua sede, ela continua a caminhar. E enquanto caminha, por ainda não ter
encontrado água, bebe apenas da esperança de um dia poder encontrá-la. Bebe apenas da
fé. Sobrevive somente pela fé.
A fé funciona mais ou menos assim.
Nós, que acreditamos num Deus criador do universo, que acreditamos na obra
salvadora de Jesus Cristo, que acreditamos no perdão dos nossos pecados, que
acreditamos na volta de Jesus, que acreditamos numa vida eterna de alegria e
felicidade, nós, que acreditamos em tudo isso, só assim acreditamos por meio da
fé. Nós nunca vimos e tampouco temos provas irrefutáveis dessas bênçãos
espirituais, mas pela fé acreditamos que elas existem e foram preparadas
para nós, e que um dia, não sabemos
quando, iremos recebê-las.
A Bíblia diz: “A fé é a certeza de
que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que
não podemos ver” (Hebreus 11.1).
Não temos provas de nada, e às vezes
somos apanhados até duvidando da existência e das promessas de Deus. Mas a fé é
assim mesmo; um dia tem mais força, outro dia, menos força. O próprio Salvador
Jesus disse que a semente que cai em terra boa produz frutos a 100, 60 e 30 por
um.
Apesar de nossas fraquezas, o
importante é nunca abandonar a fé, nunca deixar de confiar que existe um Deus
criador e mantenedor do Universo, um Deus que acima de tudo ama o ser humano,
que foi capaz de sacrificar seu próprio Filho para nos dar perdão e salvação
eterna, um Deus que está sempre presente por meio do Espírito Santo que vive
dentro de nós.
Mesmo diante das adversidades, mesmo
diante das dúvidas, mesmo diante da falta de provas, a fé nos diz que não seremos
confundidos, não seremos iludidos, porquanto as Escrituras dizem que “Todo
aquele que nele crê não será confundido” (Romanos 10.11).
Um dia, não sabemos quando e como,
veremos e teremos provas porque entraremos na presença eterna do nosso Deus e
Pai. Lá, somente lá, todas as dúvidas e indagações serão dissipadas. E enquanto
esse dia não chega, vivemos por meio da fé, que é tudo o que precisamos antes
de chegar lá.
Assim cremos, confessamos e
ensinamos.
Em Cristo, pela fé,
amém.
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