O que o Novo Testamento
diz a respeito?
1.
Não há mandamento no NT estabelecendo o dízimo.
2. O Salvador Jesus, a
chave hermenêutica de TUDO, não o confirmou muito menos deixou ou apontou
qualquer instituição ou pessoa com autorização para exigi-lo.
3. Jesus foi indiferente
quanto ao dízimo dos escribas e fariseus que davam a décima parte até das
coisas insignificantes, mas não deixou de adverti-los sobre o efeito alienante
de uma prática religiosa destituída de justiça, misericórdia e fidelidade
(Mateus 23.23).
4. A viúva pobre ofertou
todo dinheiro de que dispunha, recebendo elogios do Mestre por não ofertar a
sobra (Marcos 12.44).
5. Zaqueu sendo
transformado pelo evangelho do Salvador resolveu dar a metade de seus bens aos
pobres, não ao Templo ou às sinagogas (Lucas 19.8).
6. Os novos convertidos de
Atos repartiam tudo o que tinham com os necessitados e os apóstolos que
trabalhavam no serviço de evangelização (Atos 2.45; 4.32-37).
7. Os cristãos de
Macedônia contribuíram para a causa do evangelho na medida de suas posses e até
acima delas (2 Coríntios 8.2-4).
8. Em 2 Coríntios 9.7 o apóstolo Paulo aconselha que "cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria"
8. Em 2 Coríntios 9.7 o apóstolo Paulo aconselha que "cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria"
Portanto, no ministério do
Salvador Jesus e dos apóstolos não encontramos confirmação do dízimo praticado
no judaísmo.
Como funcionava o dízimo
no Antigo Testamento?
1. Fazia parte do culto do
povo judeu, sendo exigência da antiga aliança. Era destinado exclusivamente
para um povo específico.
2. A tribo de Levi não
recebeu terra em Canaã, porque foi incumbida do trabalho do culto judaico. Por
isso os dízimos em grande parte destinavam-se para o sustento do povo dessa
tribo.
3. A décima parte de toda
a produção dos israelitas destinava-se para o funcionamento da “Casa do Senhor”
(Tabernáculo e, depois, o seu substituto, o Templo): a) sustento dos levitas e
suas famílias; b) manutenção do Templo; c) ajuda aos necessitados.
4. O dízimo foi
estabelecido por causa da “dureza do coração” humano. Não fosse assim, Deus não
teria imposto taxa alguma para os israelitas; as ofertas seriam voluntárias e
em quantidade mais que suficiente para o sustendo do culto judaico e tudo o que
o envolvia.
5. Inexistia qualquer
barganha com a oferta do dízimo. A promessa em Malaquias (3.6-12) fazia parte da antiga
aliança e não dizia respeito a nenhuma troca ou compra de favores divinos. A
questão era a obediência ao pacto estabelecido entre Deus e o povo judeu, não
simplesmente a entrega da décima parte dos rendimentos em determinado lugar.
Portanto, o dízimo no AT
fazia parte do pacto estabelecido entre Deus e um povo específico, chamado povo
judeu ou israelita.
Como deve funcionar hoje?
1. No evangelho, que é o
bom anúncio de salvação por graça, ninguém deve absolutamente nada a ninguém.
Nem para Deus, nem para o diabo, nem para qualquer pessoa ou instituição
religiosa.
2. Não há, como nunca
houve nem haverá, barganha com Deus. A graça é de graça mesmo e Deus não é
barganhista.
3. Quem frequenta alguma
instituição séria e comprometida com o evangelho deve contribuir, visto que ela
não sobrevive sem recursos. A contribuição há de ser significativa, livre, voluntária
e de acordo com a possibilidade de cada um. A porcentagem fica por conta da
quantidade de evangelho no coração.
4. Em conformidade com os
ensinamentos de Cristo o ideal seria fazer para comer, vestir, morar e atender
outras necessidades básicas, e a outra parte socorrer as necessidades do
próximo. A porcentagem, então, se mostraria o assunto menos importante no
processo: 5, 10, 20, 40, 50 por centro, ou mais.
No evangelho é dessa
forma. Não é separar míseros 10% para uma instituição e empregar os outros 90
para saciar a lascívia consumista do ventre carnal.
Se
levarmos a sério o espírito do evangelho de Cristo, somos obrigados a concordar
que uma parte de dez sempre será sobra e acaba produzindo alienação. Se Deus barganhasse
é certo que não estabeleceria uma porcentagem tão pequena, a não ser que fosse
um Deus bem barato.
Para refletir:
Considerando a importância
que o dízimo ganhou dentro da religião, principalmente no que diz respeito à
ideia de barganha infundida na mente dos fieis pela sua prática, lanço algumas
questões para reflexão.
1. Se o dízimo atrai as bênçãos
de Deus, principalmente na área financeira, por que a quase totalidade da
riqueza mundial está nas mãos de pessoas que não dizimam nem frequentam igreja
ou qualquer instituição religiosa?
Mateus 5.45: A graça de Deus
”faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”
2. O dízimo pode tornar-se
uma forma de alienação religiosa: Alguém pode ser um dizimista meticuloso das
coisas mais insignificantes, mas negar os preceitos mais importantes da lei.
Mateus 23.23: “Ai de vós,
escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do
cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça,
a misericórdia e a fidelidade”
3. Qual instituição Jesus
criou ou qual pessoa ficou por Ele autorizada a exigir qualquer tipo de “pedágio”
para se relacionar com Deus?
Mateus 10.8: “Curai
enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça
recebestes, de graça daí”
4. Por que existem tantos
ministros pregando preceitos da antiga aliança, quando o NT diz tão claramente
que devemos ser ministros da nova aliança e não nos submetermos novamente a
novo jugo de escravidão?
2 Coríntios 3.6: Deus “nos
habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do
espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica”
Gálatas 5.1: “para a
liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos
submetais, de novo, a jugo de escravidão”
5. Por que há tanto
interesse na prosperidade material supostamente advinda do dízimo se o Salvador
e o NT advertem acerca do perigo das riquezas e apontam um reino que não é
desse mundo?
1 Timóteo 6.6-10: “De
fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos
trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com
que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em
tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as
quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de
todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se
atormentaram com muitas dores”
Mateus 19.23-24: “disse
Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará
no reio dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo
de uma agulha do que um rico entrar no reio de Deus”
João 18.36: “Respondeu
Jesus: O meu reino não é deste mundo”
Mateus 6.19-20: “Não
acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem
corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros
no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam”
Mateus 6.20: “Bem-aventurados
vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus”
Considerações finais
Para quem de fato
compreende o significado do evangelho de Cristo o dízimo é questão de somenos
importância. Na nova aliança do evangelho não há discussão sobre décima parte
de nada, mas, sim, a respeito da totalidade de tudo em prol do reino de Deus.
Em Cristo não deveríamos
entregar apenas dez por cento para uma instituição, mas nos entregarmos por inteiro
na causa do evangelho da vida eterna.
E para agirmos dessa forma
a prescrição da lei não funciona; não funcionou no AT e nunca funcionará,
porque no amor não há imposição.
Nele, amém.


Que Deus continue te abençoando Grimaldo na luz do Evangelho. Amém.
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